É…


Em tempos onde a esperança quase não existe de tão escassa e de tão mal alimentada no dia a dia, sentir alívio por conseguir algo que muitos duvidavam e desdenhavam – muitos ainda duvidam e desdenham – é quase como um gol em final de Copa do Mundo. Sentir satisfação no meio do stress, ver o arco-iris emergir no meio da tempestade.

Momento importante também para entender a parada toda, a situação como um todo. Entender e filtrar. Novas perspectivas dentro do que está porvir. A sina e a confiança agora andam lado a lado, depois de anos sem harmonizar. Sempre atento pra não virar uma ilusão, uma frustração.

Turbilhão tenso, como uma onda que leva pra lá e pra cá, bagunçando o mar até então calmo. Mistura de emoções e sensações que não deixa outra saída a não ser o tempo. Quieto, calado, no canto, sem contatos. Belezas naturais a parte, entre a pracinha e a praia, as lembranças da pracinha são melhores.

Gás essencial para continuar. Em tempos de seca, qualquer gota d’água é alento. De gota em gota, terra seca vira fértil. Desde que seja água salgada: chuva, lágrima ou mar. Observar e traçar planos a curto prazo, um passo de cada vez. Deixar o barco fluir o curso natural do rio.

Uma hora desemboca no mar.

Cinquenta e cinco


O 3 virou 5 num piscar de olhos. Erros que no fim dão certo, outros são mais ou menos, meio torto, mas passa. Não há mais espaços para rabiscos, mas as lembranças com o passar das folhas, na busca por alguma em branco, trás um passado que serve de mola pra tudo que está por vir.

Heróis verdadeiros não são invencíveis, não possuem super poderes e não perfeitos. Imagem falsa. Malditos Clark Kent, Peter Parker e Bruce Wayne – dentre outros tantos. Herói sente medo, arrepio, apreensão, mas assim mesmo vai e enfrenta tais medos e apreensões, sem previsão do que vai acontecer no fim. O pensamento atrai. Talvez os passos estejam meio tortos, mas completar o percurso agora é o mais importante.

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Foco no futuro, pois não há mais saco e disposição pra outras coisas. “Bodear” talvez seja o verbo(??) que melhor define o momento. Satura e engasga, mas as horas passam rápido até o fantástico show da vida. Rasuras retratam a confusão mental e sentimental que domina o corpo em certos momentos. Montanha russa, no claro e no escuro. Igual a um pano torcido, agora já esticado no sol e secando no varal.

Preciso de um caderno novo.


 

Vai mais uns 3 tragos, ou até um mais. As voltas e indas e vindas da vida são o que dão graça no corre. Pra lá e pra cá, poucas palavras fazem sentido, e só o tempo mostra a razão de tudo realmente acontecer, e somente a o tempo mostra o quão necessário é o tempo pra dar razão a vida.

E agora já era, passou o tempo, ficou tarde. Por mais necessário que seja pro bem estar, é desnecessário pelo momento. Deixar o universo cuidar das coisas é a melhor forma de lidar. Viver e ver o futuro chegar. Olhar distante demais para ficar próximo. Vontade da distância que só cresce. A incerteza do próximo passo é o que fomenta a sede por novidades.

Mas apesar de tal vontade, a preguiça nessas horas acaba falando mais alto. Preguiça, bode, falta de querer. Sobra tanta falta que a unidade agora é necessária. Reciclar, rir, renascer e deixar o rio fluir o curso natural das coisas. O companheirismo vem com som agudo, olhar de medo e muita cautela. Fortalece e forma laços, ajuda a derreter o gelo e faz sorrir mesmo em dias chuvosos.

Registrar tudo e deixar a sete chaves. É tanta coisa que nem vale a pena, só deixa morrer que o amor renasce. Dor vira adubo pro amor de verdade.

Tempo, som e silêncio.

AM/PM


E lá do alto, como você se vê? E lá do futuro, como você vai se ver no passado? Planos e sonhos despedaçados por coisas que a vida dá e tira na mesma proporção geram frustrações, frieza, silêncio e inúmeras dúvidas que aparecem em quase todos os momentos.

Unidade deu lugar a pluralidade. Brilhos no olhar que não se vê e não se sente. Conveniências e inércia, misturados a osmose e costumes do dia a dia sempre puxam pra baixo, sempre amarram ao invés de dar corda. As cortinas do teatro se fecharam, e tudo de uma vez virou lembrança.

ET’s, pracinha, praia, sorrisos involuntários, borboletas na barriga, ansiedade, diálogos, risadas, bons momentos. Era claro, era visível pra todos que viam de fora. Dois que eram um só. Parecidos, sintonia bonita de se ver, planos em comum e muita sede de conquistar o mundo, apesar dos medos que amarram o passado e escondem o futuro. O presente vira step.

Mas talvez a graça da vida seja as voltas que ela dá. Tanto sobe e desce que não há como entender, só aceitar as contradições e bola pra frente. Dizem que a vida não espera, e assim seguimos com dores e amores, sorrisos e tristezas afogados em meio ao monte de deveres e compromissos superestimados perto do verdadeiro valor e significado da vida.

O tempo é pra perdoar, mas o que é essa história de perdão? Não há o que se perdoar, a tristeza é pela imagem que fazemos da pessoa, e não como ela realmente é. E com base nesse entendimento/dedução é que os contatos se fazem e desfazem na caminhada. O tempo e o amadurecimento mostram fatos e coisas que a cegueira gerada pela mistura de sentimentos não permite ver.

O passado é uma roupa que não serve mais. E assim renovar o guarda roupa é sempre necessário.


“Acalenta, coração. Não faça de tudo uma grande explosão. A ocasião pede entendimento e reflexão para compreender o momento. Assimilar os erros e seguir em frente. Ouvir todas as vozes, de dentro e de fora. É, de fora, só algumas. Traçar o passo a passo, suavizar a situação e aquietar.

Marcas e remendos a parte, reconhecer o aprendizado e a ajuda também fazem parte da bagagem e do dia a dia. Mas a alma tem necessidades distintas. Palavras proferidas por puro desespero de quem perdeu o chão, de ver a semente não brotar. Faltou regar. Reconhecer erros fazem parte da evolução.

Porém, não há como ignorar simplesmente tudo que aconteceu, e como se sucedeu. Labirinto difícil de sair. A ausência da temática é reflexo da ressaca emocional, de um momento de trabalho interno, de silêncio, de mudez, de moderação, de recolher. Informação e estudos nessas horas fazem bem. Se renovar, distanciar. Entender as necessidades do tempo.

A vida prepara o terreno, abre mil portas fechadas por não satisfazer, muitas vezes, o ego, e sufocamos o que de mais puro há em si. O casulo estourou, o funil vai fechando, e não há outra solução: hora de aprender com a própria asa.

Cabimentos discutíveis e nem sempre bem aceitos por quem descobre, mas há de entender a situação como um todo. Muitas coisas sem prever, sem saber, outras sem evitar. Tragédias anunciadas na Sessão da Tarde eram ignoradas, porque nada supera a chama acesa. Mas, como dito antes, o vento é mais forte que o sopro. Chama apagada é iceberg.

A porta ficará sempre aberta.”

 

 

Huringa


Trem que passa, gente que sobe e gente que desce dos vagões a todo vapor, sem pensar muito, e com um único foco: “eu”. Trombadas revelam que a insanidade tenta muitas vezes superar até as leis da física. E o ser humano, além da enorme necessidade de aprender cidadania, burla as noções de bom senso. A porta fechou, o perigo passou.

Sensatez. O que há de mais confortante e mais necessário ao mesmo tempo. Por vezes desconfortante e um mal necessário, mas ainda sim com a mesma função, finalidade e consequência. Silêncio que resgata nostalgia, até uma certa saudade do que não se viveu. Aquele velho sonho guardado que a vida trouxe e levou. Afinal, o que é a vida, Antônio Abujamra?

Reservar. Por vezes, preservar o (pouco) que resta. Pontos de vista que se cruzam em uma espécie de ringue que entorta a vista por um minuto e faz uma fração de segundos congelar num enorme arrepio frio, gerando um enorme desalento, um grande aperto que faz duvidar de si mesmo, de quem se é, do que se quer. Time que muda planejamento no meio da temporada, termina rebaixado.

Pra lá e pra cá. Primeiro um ombro, depois o outro ombro. Revirar o esqueleto é consequência. De manhã ou de madrugada, tanto faz. Diminuem as hipóteses, e a necessidade de uma dúvida se retrata no silêncio momentâneo, respostas curtas, coisas breves. Os dias parecem iguais, anos que passam num piscar de olhos. Cuidado, camarão que dorme, a onda leva.

Etapa por etapa, degrau por degrau. Minha avó já dizia – e o Criolo também – que nem todo atalho é bom. Assim como a dúvida e a adrenalina que uma floresta fechada causa, a endorfina age de forma intensa, prazerosa, e por vezes devastadora. Paciência é algo imprescindível para qualquer dicionário da vida. Junto dela, os erros acumulados nessa caminhada de evolução e encontro da alma. Quem espera sempre alcança.

Grande viagem que permite enxergar com clareza os passos em falso dados com tanta certeza que hoje se tem mais certeza ainda que essas tais certezas pré-existentes não eram certezas de p**** nenhuma. “Hãn?! Treco confuso da porra…” Mirando na renovação, reciclagem interna e entendimento. Um desapego sufocante. Trancando um velho baú. Só o que resiste ao tempo mostra o que de fato tem valor. Todo mundo tem medo do tempo, mas o tempo tem medo das pirâmides.

Penitência. A certeza de que o ponto não é final. O breu da madrugada desperta a necessidade de jogar no universo o que se passa nesse mundo louco, único, peculiar, unilateral, egoísta e sonhador. Conflitos de mundos geram grandes colisões, grandes choques de valores um tanto quanto confusos. O baque foi tanto que até se perdeu a noção de valores, ideais, caráter, perante a tanta mudança.

Depois das duas manhã, nada mais do que é dito pode ser levado a sério.

 

Rede


Tamanha persistência e teimosia um dia há de valer a pena. Tanto remendo que parece a roupa do Chaves. Tanto ponto sem nó que parece um crochê desfiado. Filmes repetidos, mesmos erros cometidos, e o fim não poderia ser diferente.

Arrependimentos que fortificam a sensação de impotência. As claras, tudo fica mais fácil de entender e digerir. Acreditar nas pessoas não deveria ser um erro, tampouco um defeito. Foi um tombo atrás do outro, um erro atrás do outro, e o buraco ficou mais fundo. Mal imaginaria que no meio do bosque havia uma armadilha.

Engolir o choro, assumir os erros e sair de lá. A vista fica cada vez mais restrita, mas olhar pra cima trás a luz. Sonhos que se boicotam são vidas que se perdem. No meio de tanta mudança, como mudar?

Só.