Pane


Copos de vidro vazios aparecem em todo canto. Brotam a rodo pelo chão, como se eles se dividissem, assim como uma ameba. Aos poucos, vão aparecendo mais e mais, por todo canto. No chão, na escada, em volta do carro, perto do portão, na rua esburacada. Pisar e não cair vira um dilema. No sonho e na vida.

Benjamin Button no jeito de ser. Quanto mais velho fica, mais jovem se torna. Ou mais cansado, desacreditado. Talvez a inocência de criança e esse anseio pelo amor eterno, romântico e constante acaba causando frustrações jamais sentidas, tombos jamais tomados, e os rumos acabam se perdendo dentro do peito, que a essa hora mais parece uma pedra.

O futuro chegou. Tanta procrastinação e apego ao improvável renderam insegurança, labirintos, indas e vindas. A arte de se superar também se faz presente. Mas, até quando?

O sofá é sempre mais atraente, famosa zona de conforto. As árvores balançam no terreno ao lado. O vento trás algumas nuvens, mas ainda sim incapaz de atrapalhar o sol escaldante e o azul reluzente que arde e irradia o dia. Primavera que parece verão.

Ás.

O pulsar da alma se esconde atrás da já citada zona de conforto. Curtos momentos, breves mensagens. Olhar pra dentro e pra fora, observar e absorver. Hora pra se aprender. Pedras e sonhos são as únicas armas agora. Lembranças que poderiam servir de aprendizado, mas que só desconcentram. Tudo deixado pra trás como se nada tivesse acontecido, no desespero por chegar o fim de 2017 logo, e que vá com ele todas as merdas que aconteceram esse ano.

Trégua.

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Treliça


Acalanta a alma saber que aqui o silêncio e a escuridão permitem levitar e esquecer a realidade e o cotidiano meio perdido e repetitivo de uma vida inteira deixada pra depois, vendo tudo evoluir e a metamorfose não acontecer. O excesso sempre faz mal, a química sempre ameniza a cobrança interna.

Frustrações que deixam um pé atrás, fazendo a caminhada ficar meio manca. Amarrações a um passado que não volta mais, e o medo hoje não é mais de “não dar certo”, e sim de “não fazer o que tem que ser feito”. Mas na falta de escudo, vai com os medos mesmo, que eles sirvam de mola ao invés de muro.

A busca pelo velho amor em se fazer o que sempre se amou segue a tona. Aos poucos, os olhos voltam a se fechar, e tudo que antes parecia acorrentar, hoje já não prende mais. O cansaço mostra o corpo no limite da boa convivência. O cinto cada vez mais apertado revela o esforço e o desgaste em troca de um troco.

Não, não é só um troco. Mas aos poucos, os sorridos, a interação, os acasos do dia a dia foram perdendo o valor, tamanho o desespero pelo troco ao final da labuta. O prazer em estar ali se perdiam em meio a notas tortas e passos apertando e acelerando o ritmo. O amor que sempre foi o combustível de tudo, não entrava mais em ebulição.

Devagar e sempre, achando o caminho de volta, na esperança de entrar em ebulição de novo, com novos projetos a seguir, enquanto tudo em volta parece que vai explodir a qualquer momento nesse vai e vem frenético que consome e confunde necessidade e anseio, deveres e desejos, obrigações e prazeres.

Em meio a tantas mudanças, a impressão que fica é que já se foram 3 anos em 7 meses.

Luz


“Coisinha” que encosta, aconchega e dorme. Um pouco de charme rende um afago, até dois. Saber os passos causa uma leve risada. O canto do sofá já está marcado. Que saudade…

Tanta formalidade que parece de mentira, teatrinho fajuto, digno do “Framboesa de Ouro” – com uma bomba dentro, rs. Tudo detalhado, disfarçando e justificando com competência todo o circo armado. E passa lá, numa caixa – cada vez mais fina – sem informação. 

    Pra lá e pra cá, passos apertados que impedem de viver. Pressa pelo futuro que não chega. Mudar é sempre bom, mas sem se perder. Trocar a rota, não o destino. A não ser que seja ano novo e você vá pra praia…

    Dentre as lições da vida até aqui, fico com a do tetris: quando você se encaixa, você some.


    Há uma teoria explicando que a Lua crescente representa renovação da vida e o crescimento. Olhando pra ela nesse estágio e analisando os outros, faz muito sentido.

    A persistencia por alguns sonhos carrega o gosto amargo das perdas ao longo da jornada. Foco ou sonho de adolescente? Lembranças que viram fumaça quando o desencantamento acontece, e o tal sonho se renova com o tempo.

    Do alto, é tudo tão frágil que parece de brinquedo. O horizonte não trava em concretos e cores artificiais. Tudo parece desenho, desses feitos a mão, milimetricamente pensado. Não se cabe mais apenas na cabeça. Pensamentos na balança pra mostrar o quão tudo vale a pena.

    Lua cheia. A luz refletida por ela dispensa uso da luz artificial. Madrugada companheira, boa para auto analise e trabalho interior intenso. Certezas passageiras que evaporam com o nascer do sol. Uma coisa só. Olhar pra dentro e entender os erros. Sustos e tombos, sempre no fio da meada, coração na boca e cigarro na mão. Que falta faz um abraço.

    Cada vez mais profissional na arte de sufocar sentimentos.

    É…


    Em tempos onde a esperança quase não existe de tão escassa e de tão mal alimentada no dia a dia, sentir alívio por conseguir algo que muitos duvidavam e desdenhavam – muitos ainda duvidam e desdenham – é quase como um gol em final de Copa do Mundo. Sentir satisfação no meio do stress, ver o arco-iris emergir no meio da tempestade.

    Momento importante também para entender a parada toda, a situação como um todo. Entender e filtrar. Novas perspectivas dentro do que está porvir. A sina e a confiança agora andam lado a lado, depois de anos sem harmonizar. Sempre atento pra não virar uma ilusão, uma frustração.

    Turbilhão tenso, como uma onda que leva pra lá e pra cá, bagunçando o mar até então calmo. Mistura de emoções e sensações que não deixa outra saída a não ser o tempo. Quieto, calado, no canto, sem contatos. Belezas naturais a parte, entre a pracinha e a praia, as lembranças da pracinha são melhores.

    Gás essencial para continuar. Em tempos de seca, qualquer gota d’água é alento. De gota em gota, terra seca vira fértil. Desde que seja água salgada: chuva, lágrima ou mar. Observar e traçar planos a curto prazo, um passo de cada vez. Deixar o barco fluir o curso natural do rio.

    Uma hora desemboca no mar.

    Cinquenta e cinco


    O 3 virou 5 num piscar de olhos. Erros que no fim dão certo, outros são mais ou menos, meio torto, mas passa. Não há mais espaços para rabiscos, mas as lembranças com o passar das folhas, na busca por alguma em branco, trás um passado que serve de mola pra tudo que está por vir.

    Heróis verdadeiros não são invencíveis, não possuem super poderes e não perfeitos. Imagem falsa. Malditos Clark Kent, Peter Parker e Bruce Wayne – dentre outros tantos. Herói sente medo, arrepio, apreensão, mas assim mesmo vai e enfrenta tais medos e apreensões, sem previsão do que vai acontecer no fim. O pensamento atrai. Talvez os passos estejam meio tortos, mas completar o percurso agora é o mais importante.

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    Foco no futuro, pois não há mais saco e disposição pra outras coisas. “Bodear” talvez seja o verbo(??) que melhor define o momento. Satura e engasga, mas as horas passam rápido até o fantástico show da vida. Rasuras retratam a confusão mental e sentimental que domina o corpo em certos momentos. Montanha russa, no claro e no escuro. Igual a um pano torcido, agora já esticado no sol e secando no varal.

    Preciso de um caderno novo.


     

    Vai mais uns 3 tragos, ou até um mais. As voltas e indas e vindas da vida são o que dão graça no corre. Pra lá e pra cá, poucas palavras fazem sentido, e só o tempo mostra a razão de tudo realmente acontecer, e somente a o tempo mostra o quão necessário é o tempo pra dar razão a vida.

    E agora já era, passou o tempo, ficou tarde. Por mais necessário que seja pro bem estar, é desnecessário pelo momento. Deixar o universo cuidar das coisas é a melhor forma de lidar. Viver e ver o futuro chegar. Olhar distante demais para ficar próximo. Vontade da distância que só cresce. A incerteza do próximo passo é o que fomenta a sede por novidades.

    Mas apesar de tal vontade, a preguiça nessas horas acaba falando mais alto. Preguiça, bode, falta de querer. Sobra tanta falta que a unidade agora é necessária. Reciclar, rir, renascer e deixar o rio fluir o curso natural das coisas. O companheirismo vem com som agudo, olhar de medo e muita cautela. Fortalece e forma laços, ajuda a derreter o gelo e faz sorrir mesmo em dias chuvosos.

    Registrar tudo e deixar a sete chaves. É tanta coisa que nem vale a pena, só deixa morrer que o amor renasce. Dor vira adubo pro amor de verdade.

    Tempo, som e silêncio.